Qualidade da água bruta utilizada pelas comunidades localizadas nos municípios de São Vicente e Guarujá, Estado de São Paulo, Brasil Patrícia Schmitz, Fabrício Gandini Caldeira, Eliane Marta Quiñones Braz
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Resumo
Apesar de ser a substância mais abundante no planeta, a água está disponível em diferentes quantidades, em diferentes lugares. No Brasil há conflitos relacionados ao seu uso, já que 12% de toda a água doce do mundo estão presentes em nosso território e sua distribuição não é homogênea. O uso da água bruta é muito comum ao longo da Baixada Santista, onde se encontra uma grande extensão da planície costeira com diferentes graus de conservação da biodiversidade e registros de diversos bairros ou povoados isolados dependentes da água extraída diretamente da natureza. Tendo em vista esta demanda, o objetivo deste trabalho foi de avaliar a qualidade físico-química e bacteriológica das águas oriundas de nascentes ou bicas d’água utilizadas pelas comunidades em seu entorno. Para isso foram realizadas coletas de água bruta em quatro locais diferentes, duas no bairro Praia Branca (Guarujá), sendo a primeira coletada na caixa d’água comunitária e a segunda obtida através de bomba hidráulica. As demais amostras foram coletadas no bairro Japuí e Parque Prainha, ambas no Município de São Vicente, as quais foram obtidas através de bica d’água e caixa d’água subterrânea, respectivamente. O resultado das análises apontou a presença de Escherichia coli apenas nas amostras coletadas nas caixas d’água do bairro Parque Prainha e da Praia Branca. Além disso, foi detectado valores do parâmetro Nitrato acima do permitido pela legislação na amostra do Parque Prainha, indicando possível contaminação com despejos sanitários. As demais amostras estiveram dentro dos padrões, segundo a Portaria 2.292/12 do DAEE. De acordo com os resultados, ressalta-se a importância de um monitoramento contínuo da qualidade das águas brutas utilizadas pelas comunidades, mesmo que estas já sejam atendidas pelo sistema público de abastecimento de água, haja vista a preferência de grande parte dos moradores por estas fontes, além da participação do poder público para incentivar e propor mecanismos de auto-gestão e de monitoramento deste recurso por parte dos usuários.