Peixes de riachos da Estação Ecológica Juréia-Itatins: estrutura e conservação Cristina Gonçalves, María Angélica Pérez-Mayorga
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Resumo
A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ameaçados do mundo e abriga uma quantidade excepcional de espécies endêmicas que estão sofrendo com a redução dos hábitats. Neste trabalho, nós avaliamos a estrutura da ictiofauna que ocorre nos riachos da Estação Ecológica Juréia-Itatins (EEJI) em termos de composição, abundância e biomassa das espécies, discutimos sobre as ameaças à ictiofauna e sugerimos algumas medidas conservacionistas. Os peixes foram amostrados em 73 locais com diferentes apetrechos de pesca (pesca elétrica, redes-de-emalhar, armadilhas tipo covo e peneira) de acordo com as possibilidades de uso em cada ambiente (e.g. corredeiras e poços). Foram registradas 39 espécies, pertencentes a seis ordens e 17 famílias totalizando 7.719 indivíduos e aproximadamente 32,2 kg. As ordens Characiformes e Siluriformes foram predominantes em termos de riqueza, abundância e biomassa. A maior parte das espécies (74,4%) ocorreram em ambientes exclusivos de água doce e o restante das espécies são tolerantes a salinidade e por isso foram registradas nos ambientes próximos da influência das marés. Muitas espécies de peixes endêmicos da Mata Atlântica (61,5%) ocorreram nos riachos da EEJI. Seis espécies, Characidium schubarti (Crenuchidae), Scleromystax macropterus, S. prionotos (Callichthyidae), Pseudocorynopoma heterandria (Characidae), Hoplias lacerdae (Erythrinidae) e Brachyhypopomus jureiae (Hypopomidae), encontram-se na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção do estado de São Paulo. A ictiofauna amostrada durante este estudo complementa os inventários anteriores feitos nos riachos da EEJI e representa uma parcela significativa dos peixes do bioma Mata Atlântica. A distribuição restrita da maioria das espécies aumenta sua vulnerabilidade frente os distúrbios provocados por atividades antrópicas. Dessa forma, as UCs desempenham o papel fundamental de preservação dos hábitats da fauna aquática. Considerando o avançado grau de desmatamento da Mata Atlântica e a importância das UCs para a conservação de espécies ameaçadas e endêmicas deste bioma, é altamente recomendado a criação de novas unidades de proteção integral como a EEJI.