Relação de espécies botânicas empregadas nos templos de Umbanda Nagô Vladimir Stolzenberg Torres
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Resumo
É conhecida a importância dos vegetais nos rituais afrobrasileiros, tanto o valor simbólico das ervas no contexto geral das religiões de influência africana, como também o efeito que as mesmas causam àqueles que delas se utilizam individual ou coletivamente, salientando que tais efeitos podem enfatizar determinados aspectos comportamentais requeridos pelos rituais, como o transe. Esse conhecimento foi mantido através da relação com as divindades e com a natureza, compreendendo o mundo através de uma cosmologia do sagrado, onde os elementos naturais estão integrados à vida humana. Neste sentido, está representado o uso das plantas nos rituais, em busca de vibrações e irradiações energéticas, com fins terapêuticos e místicos e como oferendas às entidades espirituais. O estudo foi desenvolvido em oito templos do ritual de Umbanda Nagô (sete localizados em Porto Alegre e um no município de Cidreira). O inventário realizado revelou a utilização de 56 espécies vegetais, quando consideradas as designações populares, número que se altera para 54 quando considerada a nomenclatura científica, distribuídas em 26 famílias, sendo predominantes Fabaceae, seguida de Solanaceae. Apenas uma espécie foi identificada com uso de denominação em Yorubá, neste caso Orô.