Corujas no ambiente urbano: estudo de resgate de aves feridas na região central do litoral de São Paulo. Alexandre Matos Muniz Matias, Arthur Pérez Aguiar, Ana Beatriz Alarcon Comelli
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Resumo
A Região Metropolitana da Baixada Santista está localizada em uma área de Mata Atlântica, no litoral do estado de São Paulo, com fitofisionomias de floresta ombrófila densa, mata de restinga, manguezal e praia. Sua relação com a avifauna é inerentemente intensa, principalmente devido ao grande percentual de áreas destinadas à preservação ambiental. A Ordem Strigiformes é representada pelas corujas, aves de rapina com visão e audição apuradas, com mais de 200 espécies conhecidas, das quais 23 ocorrem no Brasil. Apesar de comuns em ambientes rurais, as corujas estão se tornando presentes no ambiente urbano devido à maior disponibilidade de alimento, locais para nidificação, baixos números de predação e competição e, sobretudo, devido à degradação de seu ambiente natural. Ainda que a área urbana ofereça condições que permitem a presença dessas aves, não são raros os casos de acidentes causados por ações antrópicas envolvendo esse grupo. O presente trabalho teve como objetivo principal esclarecer e compreender o resgate de corujas feridas na área urbana da Baixada Santista. Os dados desta pesquisa foram coletados por meio da análise da documentação do Parque Zoobotânico Orquidário Municipal de Santos, referente aos espécimes resgatados e encaminhados ao parque durante o período de 2009 a 2018. No total, foram avaliados 54 indivíduos, com seis espécies diferentes registradas. A espécie com maior taxa de admissão foi Megascops choliba, com 21 indivíduos. Os registros mostraram que há uma maior sazonalidade de resgates durante o segundo semestre, com maior ocorrência nas cidades de Santos e Guarujá. A principal causa avaliada na entrada dos animais foi letargia, seguida de resgate de filhotes e lesão física. A taxa de recuperação para o grupo foi considerada alta, mostrando alta tolerância ao tratamento e manejo de reabilitação.