A PRODUÇÃO DE MUCO COMO ESTRATÉGIA DAS OSTRAS FRENTE ÀS MICROFIBRAS TÊXTEIS SINTÉRICAS
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Resumo
As fibras sintéticas têxteis são uma importante fonte de microplásticos em ambientes marinhos, liberados principalmente durante o uso e lavagem das roupas. Esses contaminantes podem ser incorporados por bivalves filtradores, como as ostras, que possuem grande valor ecológico e econômico. Uma vez assimiladas, as microfibras podem se acumular em diferentes órgãos, incluindo o manto, tecido essencial para proteção e formação da concha, podendo, portanto, comprometer a saúde das ostras, com potenciais impactos ambientais, econômicos e para a saúde humana. Fibras de poliéster foram obtidas a partir da lavagem de tecidos em máquina e caracterizadas por FTIR. As ostras da espécie Crassostrea brasiliana foram obtidas de produtores da reserva extrativista do Mandira no município de Cananéia – SP e aclimatadas por 11 dias. A pesquisa foi conduzida por 28 dias com dois grupos, Controle (com água do mar filtrada) e Poliéster (com água do mar filtrada + 531 mf/L). O manto das ostras foi fixado em formol 10%, armazenado em álcool 70%, e seguido de processos histológicos padrão, incluído em parafina, realizados cortes semi seriados de 5 μm, e posteriormente corados com a técnica Alcian Blue (AB). A análise foi realizada por meio de três fotomicrografias obtidas em microscópio de luz (400X). As células de muco foram quantificadas por área (mm²) utilizando-se o software Image Pro-Plus 3.0.1. As microfibras apresentaram comprimento médio de 905 μm e diâmetro de 23 μm, sendo sua composição confirmada por espectro característico de poliéster. A exposição a fibras de poliéster aumentou significativamente as células mucossecretoras no manto das ostras (P=0,047), sugerindo tanto uma resposta defensiva para proteção contra microfibras no organismo quanto uma possível reação patológica relacionada à inflamação. A exposição a microfibras têxteis promoveu aumento significativo nas células de muco no manto de C. brasiliana. Esse efeito sugere uma resposta defensiva do organismo, uma vez que o muco atua como uma barreira física e química contra partículas estranhas, patógenos e poluentes. O aumento da produção de muco no manto pode, portanto, representar uma estratégia para reduzir os efeitos tóxicos e a penetração de microfibras nos tecidos internos
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