Índice de aterogenicidade plasmático (AIP) como preditor do risco cardiovascular em crianças e adolescentes Nilton Rosini, Marcos José Machado, Edson Luiz da Silva, Caroline Simões Teixeira Perrela, Hermes Toros Xavier
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Resumo
Fundamento: A doença cardiovascular (DCV) é a principal causa de morte e de custos na área da saúde, em todo o mundo. Detectar precocemente o risco da DCV na infância e adolescência constitui a ferramenta poderosa na prevenção da ocorrência dos eventos na vida adulta, reduzindo a carga da DCV no futuro. O índice de aterogenicidade plasmático (AIP), proposto por Dobiášová e Frohlich, como medida indireta da aterogenicidade (log10 (TG/HDL-C), está associado positivamente aos fatores de risco cardiometabólicos, demonstrando ser um potencial preditor do risco da DCV.
Objetivo: Nesse estudo de coorte transversal, objetivamos avaliar a associação entre o AIP e os fatores de risco cardiometabólicos mais prevalentes em crianças e adolescentes.
Métodos: Participaram 1.011 crianças e adolescentes com idades entre 6 e 14 anos, média de idade 9,89 ± 2,2 anos, de ambos os sexos – 530 meninas (52,4%) e 481 meninos (47,6%). Amostras sanguíneas foram coletadas após jejum de 12 a 14 h para as análises laboratoriais. Os participantes foram distribuídos em 2 grupos de acordo com o AIP: tipo A (≤ 0,10), menos aterogênico, ou tipo B (>0,10), mais aterogênico; as diferenças entre as variáveis cardiometabólicas de acordo com o AIP foram avaliadas pelo teste de Mann-Whithney, com p<0,05 como significativo. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e os pais ou responsáveis assinaram o TCLE.
Resultados: A análise mostrou que 871 crianças apresentavam AIP ≤0,10 enquanto 140 crianças, AIP >0,10. O grupo AIP >0,10 apresentou perfil glicêmico (mediana de glicemia 92,2 mg/dL, insulina 6,93 U/mL e HOMAi 1,45) mais desfavorável do que as crianças com AIP ≤0,10 (mediana de glicemia 90,0 mg/dL, insulina 4,05 e HOMAi 0,93; p < 0,001). Os parâmetros lipídicos também se mostraram significativamente mais desfavoráveis nas crianças com AIP >0,10 – níveis mais elevados de colesterol total em 6%, de LDL-C em 7%, de colesterol não-HDL-C em 19%, de triglicérides em 119%, e níveis mais reduzidos de HDL-C em 27,5% e do tamanho da LDL em 4% (p<0,001) na comparação àquelas com AIP ≤0,10. As concentrações de PCRas ((0,99 versus 0,36 mg/L) e de ácido úrico (3,97 versus 3,70 mg/dL) se mostraram significativamente maiores no grupo AIP >0,10 na comparação ao grupo AIP ≤0,10 (p<0,0001 e p<0,0169, respectivamente).
Conclusão: Com base em nossos resultados, podemos concluir que o AIP está associado aos principais fatores de risco cardiometabólicos prevalentes na infância e adolescência, configurando um importante preditor precoce do risco da DCV.