IDENTIFICAÇÃO E MONITORAMENTO DA SÍNDROME DA FRAGILIDADE EM IDOSOS ATENDIDOS EM UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE NO MUNICÍPIO DE SANTOS/SP: RACIONAL E DESENHO DO ESTUDO LONGITUDINAL PROSPECTIVO DE 10 ANOS. Sheila de Melo Borges
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Resumo
O estudo sobre a fragilidade em pessoas idosas ganhou ênfase nas últimas décadas por tratar-se de uma síndrome multidimensional que envolve uma interação complexa de fatores clínicos, biológicos, psiquiátricos e sociais. Trata-se, portanto, de uma síndrome geriátrica que resulta em um estado de maior vulnerabilidade associado a um elevado risco para desfechos adversos negativos à saúde, tais como quedas, fraturas, morbidades, incapacidade, hospitalização, institucionalização e morte. Sendo assim, a avaliação clínica desta condição em diferentes perfis de pessoas idosas se faz necessária, especialmente nos serviços de atenção primária à saúde (APS), por ser um nível de atenção à saúde considerado a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo acompanhamento de saúde no território onde as pessoas vivem, facilitando o acesso ao cuidado longitudinal e integral à população. Neste sentido, estudos prospectivos são necessários e podem contribuir para um acompanhamento de indicadores de saúde. Dessa maneira, os objetivos deste projeto são: 1) identificar e acompanhar o rastreamento da síndrome da fragilidade em pessoas idosas usuárias de Unidades Básicas de Saúde (UBS) no município de Santos após dez anos de coleta de dados do projeto de fragilidade realizado anteriormente; 2) Analisar a relação entre diferentes condições de saúde (clínicas, físicas, funcionais, cognitivas, emocionais e sociais) com a fragilidade nesse período de avaliação; 3) Verificar possíveis desfechos de fragilidade, tais como mortalidade, imobilidade e institucionalização aos longos desses anos. Para isso, será utilizado o mesmo protocolo de pesquisa aplicado entre os anos de 2014 e 2016, referente a um projeto temático transversal intitulado “Síndrome da fragilidade”: identificação e monitoramento de vulnerabilidade em idosos usuários de Unidades Básicas de Saúde no município de Santos/SP”, no qual utilizou os seguintes instrumentos para avaliação da fragilidade: Study of Osteoporotic Fractures (SOF) e Edmonton Frail Scale (EFS). Também serão realizadas avaliações clínicas, cognitivas, emocionais e físico-funcional, sendo estas baseadas, em sua maioria, na caderneta da pessoa idosa e no caderno de atenção básica, ambos instrumentos de referência para monitoramento de vulnerabilidade em pessoas idosas, recomendados pelo Ministério da Saúde e outros instrumentos preconizados pela Avaliação Geriátrica Ampla (AGA). No projeto temático anterior, de caráter transversal, foram avaliadas 305 pessoas idosas em setes UBS acompanhados pelas UBS do município de Santos após consultas, exames, atividades educativas e/ou retirada de medicamento. No presente estudo, com seguimento prospectivo, pretendemos telefonar para os participantes da pesquisa realizada anteriormente e convidá-los para uma reavaliação, alcançando uma amostra de 136 pessoas. Em caso de falecimento, institucionalização e outras condições que impeçam a reavaliação do participante, estas informações serão registradas fins de pesquisa com objetivo de análise de desfechos. Este estudo pretende contribuir para um melhor entendimento sobre a fragilidade e suas consequências em pessoas idosas usuárias da APS, dada a importância deste nível de atenção à saúde para a promoção de saúde no nosso sistema público de saúde e a necessidade de cuidados em saúde para os gerontes.