EIXO INTESTINO-CÉREBRO: O PAPEL DA MICROBIOTA INTESTINAL NA NEUROFISIOLOGIA DA SAÚDE MENTAL Katharina Sophia Oliveira Tavares, Thainá Carneiro Marquesani, Priscila Reina Siliano
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Abstract
O trato gastrointestinal humano é composto pela boca, faringe, esôfago, estômago, intestinos delgado e grosso, reto e ânus. Esse conjunto é responsável pela comunicação com outras glândulas que liberam substâncias essenciais para o processo digestivo e metabólico do organismo. Em média, o ser humano possui 100 trilhões de microrganismos no seu intestino (microbiota intestinal), o que constitui em 10 vezes mais células exógenas do que as próprias células do corpo humano. A microbiota intestinal estabelece algumas funções, entre elas de controlar o aumento de bactérias patogênicas, manter a integridade da mucosa gastrointestinal, participar ativamente do sistema imune, promover a absorção de nutrientes e ativar vias neurais e a sinalização do sistema nervoso central. Com base em estudos e pesquisas, mostra-se cada vez maior a influência que a microbiota intestinal tem sobre o sistema nervoso, mais especificamente, sobre alterações e transtornos neurológicos. Dessa forma, o presente trabalho teve como propósito compelir artigos científicos sobre o eixo intestino-cérebro, relacionando a influência deste eixo sobre as alterações neurológicas, avaliando seu impacto. Foram utilizados artigos retirados das plataformas PubMed, Google Academy e SciELO, no período de 10 anos, de 2013 a 2023. O eixo intestino-cérebro consiste em um sistema complexo de vias do sistema nervoso central, sistema nervoso periférico, sistema nervoso entérico e o sistema nervoso autônomo. Nossa microbiota já vem sendo formada antes mesmo do nosso nascimento e é composta por bactérias, vírus e outros microrganismos, sendo única em cada indivíduo. Ao longo dos primeiros anos de vida, a sua composição se dá pela interação entre a criança e o ambiente, assim evoluindo e se modificando ao longo da vida, proporcionando importantes funções metabólicas, endócrinas e imunológicas. Atualmente associa-se que um desequilíbrio microbiano intestinal (disbiose), além de alterações na absorção de nutrientes a nível intestinal, podem potencialmente influenciar diversas alterações neurológicas, e por consequência favorecer e ou agravar quadros de depressão, ansiedade, autismo, Alzheimer, entre outras doenças. Os usos de probióticos, prebióticos e até mesmo transplante da microbiota fecal vêm sendo estudados e aplicados para modificação da microbiota intestinal a fim de proporcionar os benefícios por ela conferidos. Esta temática é de fundamental importância para elucidação e entendimento entre a relação do eixo intestino-cérebro, a microbiota intestinal com a neurofisiologia da saúde mental, por isso se fazem necessários mais estudos futuros para melhor compreensão da ligação entre intestino, cérebro, transtornos neurológicos, doenças e potenciais tratamentos.