Caiçaras e o Mosaico de Unidades de Conservação Jureia-Itatins: desafios para a gestão Rosely Alvim Sanches
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Resumo
O Mosaico de Unidades de Conservação de Jureia-Itatins (MUCJI) é o primeiro mosaico de áreas protegidas de Mata Atlântica criado em território paulista. Sua origem legal data da alteração dos limites e reclassificação da Estação Ecológica de Jureia-Itatins (EEJI). Esta mudança teve como prerrogativa a admissão, por parte do poder público e pressão da sociedade civil, da coexistência entre a diversidade biológica e cultural e, também, dos tipos de uso e ocupação existentes na região. Durante o processo de criação e implantação da EEJI e a instituição do MUCJI, houve um debate acirrado entre as comunidades locais, cientistas, lideranças sociais e técnicos do governo estadual, que gerou posições contraditórias ao redor da conservação da Mata Atlântica e as chamadas populações tradicionais que habitam seu interior. O presente artigo mostra que o novo marco legal – o mosaico - como solução para o equilíbrio entre as questões socioambientais e os objetivos de conservação - é uma instituição necessária, mas não resolveu esse debate. É necessário o reconhecimento do valor intrínseco da biodiversidade protegida e a construção coletiva de princípios para uma ética ambiental na gestão do mosaico.