Relato de Caso: Diagnóstico Diferencial Takotsubo e Síndrome Coronariana Aguda Gabriel Borges Bessa Abdallah Khachab, Paula Freitas Martins Burgos, Rubens Fraga Pinto, Marcello Romiti
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Resumo
Introdução: A Síndrome ou Cardiomiopatia de Takotsubo (CMT) caracteriza-se pela disfunção sistólica regional e transitória do ventrículo esquerdo (VE). A necessidade no diagnóstico diferencial de dor torácica, capaz de confundir, mesclar o quadro clínico de síndrome coronariana aguda (SCA), na ausência de evidências de doença arterial obstrutiva (DAC) ao exame cinecoronarioangiográfico. Acomete em 85% a 90% das mulheres, em especial no período pós-menopausa na idade entre 65 a 70 anos. Metodologia: Trata- se de um relato de caso que objetiva trazer a CMT como diferencial de SCA em paciente jovem e discutir as particularidades, a fim de ampliar o conhecimento do caso em questão e desta forma, visando esclarecer a apresentação de condições clínicas da saúde para a população. Relato de Caso: A.L.P.S, feminino, 38 anos, vida sexual ativa, sem história de hipertensão arterial, tabagismo, doenças pulmonares e/ou transtorno de ansiedade generalizada, admitida com precordialgia típica iniciada após estresse emocional. Inicialmente a hipótese de SCA fora suscitada, teste de COVID-19 realizado na chegada da paciente como protocolo(negativo). As alterações eletrocardiográficas (ECG) não ocorreram, mas a curva enzimática de marcadores de necrose miocárdica foram positivos (MNM) e compatíveis. Ecocardiograma demonstrando sinais de hipocinesia difusa moderada mais acentuada em segmento apical do septo e parede anterior. Ressonância Magnética do Coração (RNM) com disfunção sistólica ventricular esquerda importante às custas de hipocinesia acentuada de todos os segmentos das porções média e apical e discinesia do ápex (segmento17). Cinecoronario (CATE) demonstrou artérias coronárias isentas de ateromatose obstrutiva ou ruptura aguda de placa ateromatosa; ventriculografia esquerda, presença discinesia na parede apical, hipocinesia severa da parede anterior e função contrátil normal nas demais paredes. Os achados afastam o diagnóstico inicial e sugerem CMT. A paciente evoluiu de acordo com relatos na internação com estabilidade hemodinâmica, melhora da dor torácica e alta hospitalar para acompanhamento ambulatorial. A função miocárdica contrátil de acordo com dados de prontuário houve melhora contrátil global e segmentar somente após 6 meses. Discussão: A princípio de acordo com relatos clínicos suscitou-se a hipótese de infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSST). A ausência de ateromatose obstrutiva ao CATE realizado posteriormente, afastou a possibilidade de IAMSST e reforçou CMT como etiologia mais provável, uma vez que é capaz de mimetizar uma SCA; porém sem obstrução aterotrombótica coronariana. A hipótese de CMT deve ser apontada como diagnóstico diferencial de SCA, sobretudo em mulheres após forte stress emocional. A paciente apresentou achados sugestivos e característicos ao ECO, a RNM do coração e à ventriculografia. A presença de hipocinesia do segmento apical e médio do VE e de hipocinesia severa em parede anterior, conferindo um aspecto clássico de balonamento apical. O tratamento fora realizado basicamente, em suporte hemodinâmico, drogas do protocolo de insuficiência cardíaca e controle de complicações. O caso clínico relatado de acordo com o prontuário analisado apresentou características compatíveis com a CMT, desde sua apresentação clínica na admissão até a evidência de anormalidades da parede do VE no estudo com ventriculografia e ausência de sinais de patologia obstrutiva ao estudo da cineangiocoronariografia, o que corrobora com o padrão descrito pela literatura desta patologia. Resultados: O presente relato de caso possibilitou um aprofundamento teórico acerca do tema e a disseminação na comunidade médica e acadêmica das peculiaridades desta síndrome principalmente como diagnóstico diferencial. Conclusão: A semelhança entre a clínica da cardiomiopatia de Takotsubo e da SCA prioriza a relevância da CMT como diagnóstico diferencial de dor torácica em mulheres com gatilhos típicos. Assim sendo, faz-se necessário conhecer seus aspectos epidemiológicos, clínicos e radiológicos.