The importance of public projects for social and urban revitalization in historic centers Ricardo Andalaft

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Abstract

O desconhecimento dos mecanismos necessários para tombar um patrimônio e promover sua manutenção é comum à grande maioria da sociedade. Outro fator fundamental é a falta de relação dessa comunidade com o bem ou região a ser preservada. Embora as discussões sobre preservação do patrimônio por meio da regeneração urbana sejam cada vez maiores e mais frequentes, é comum ver erros aparentemente incompreensíveis em muitas intervenções recentes realizadas em nossos centros históricos. Existem diversas fragilidades na forma como essa complexa questão ainda é discutida e facilmente notadas na metodologia de análise. Sabemos que muitos dos Planos de Revitalização de Centros Históricos são elaborados por equipes políticas, sem a participação efetiva da população local, e até mesmo sem especialistas em história do urbanismo e conservação integrada, resultando em planos pouco fundamentados. Existem entidades, Conselhos e Institutos para promover o empoderamento e a participação acadêmica, mas o acesso a esses órgãos da sociedade é limitado. Assim, as pessoas ficam alheias a todo esse processo. Sem conhecer detalhadamente todas as causas históricas do abandono e da degradação, rua por rua, não se pode esperar propostas de intervenção bem-sucedidas. Desconhecendo o real valor dos centros históricos enquanto conjuntos, bem como a importância da sua arquitetura, não se podem esperar propostas de intervenção com critério adequado. Sem a capacidade de criar uma proposta de revitalização eficaz, assente nas leis do urbanismo orgânico e da antropologia do espaço, a taxa de insucesso na intervenção acaba por ser muito elevada, com danos evidentes a todos os níveis: social, económico, ambiental, patrimonial, etc. Mais do que reabilitar edifícios e intervir aleatoriamente em quarteirões e em espaços públicos, importa reconstruir e repor a lógica dos antigos núcleos urbanos, num novo espírito que considere que a questão dos centros históricos não é meramente um problema de arquitetura ou de planeamento urbano. Profissionais de diversas áreas são cada vez mais chamados a contribuir para o estudo dos centros históricos e para as consequentes estratégias de intervenção e conservação. Assim, História da Arte, Antropologia, Arqueologia Urbana, Sociologia Urbana, Turismo, Engenharia de Mobilidade e Transportes, Geografia Urbana, Conservação e Restauro, Museologia, Economia, Engenharia Civil, Arquitetura Paisagística, Desenho Urbano, Gestão Patrimonial, Direito, etc. compõem o rol das diversas ciências envolvidas na questão da Restauração Urbana Integrada, que não é uma mera soma de conhecimentos. É uma área interdisciplinar com fronteiras recentes e mal definidas. Por isso, acreditamos que um Plano de Revitalização de Áreas Urbanas é, antes de tudo, a recuperação de uma população e a revitalização de sua região. Isso é o acesso à pesquisa e ao debate. Isso é uma atuação direta e efetiva na coleta dos anseios da comunidade sobre a manutenção de sua história, cultura, enfim, seu maior patrimônio que é sua Equidade Social, encoberta pela História, Arquitetura, Artes e Cultura. A isso chamamos de Revitalização Social e Urbana Integrada.

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