RESPONSABILIDADE DO APRENDER: COMO ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL II ENCARAM A ROTINA DE ESTUDOS NAS ESCOLAS Anderson Barbosa da Silva, Laisa Fernandes Dias, Maurício de Oliveira Miranda, Rodrigo da Costa Paiva, Vinicius Moreira Perrotto Martins, Marcia Regina Silva do Vale, Raphaela dos Santos Gonçalves, Camilla Santos Lima
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Resumo
A grande maioria dos professores no sistema educacional, principalmente no ensino fundamental II, enfrentou a dificuldade comumente negligenciada de prender a atenção e o interesse dos alunos. O desinteresse dos discentes foi um dos muitos fatores que acabou atrasando as dinâmicas educacionais, através, por exemplo, da falta de respeito em sala de aula ou da ausência de compromisso com a entrega de atividades. O objetivo desse estudo foi realizar uma pesquisa sobre a opinião dos alunos acerca da jornada escolar, dos professores e das atividades. Também queríamos coletar dados sobre aspectos sociais dos alunos e entender quais possíveis relações poderíamos traçar entre as influências do meio e o seu desempenho na escola. A metodologia consistiu em entrevistar alunos do ensino fundamental II para entender os motivos que os levavam à escola. Também queríamos conhecer algumas particularidades de suas situações sociais, como idade, condição financeira ou tempo de deslocamento até a escola, para, quando obtivéssemos as estatísticas, compreendermos se esses fatores influenciavam em seu desempenho. Para isso, entrevistamos cerca de cem alunos de ambos os sexos em duas escolas de EF da prefeitura de Santos, onde foram aplicados trinta questionários. Não foram solicitados dados pessoais como nome da criança ou dos pais, e a coleta foi realizada por meio de questionário com identificação de sexo e idade apenas. Foi observada uma forte correlação entre a condição socioeconômica e o sucesso acadêmico, sugerindo que alunos de famílias com maior poder aquisitivo tendem a apresentar melhores resultados devido ao acesso a recursos educacionais complementares. Além disso, o tempo de deslocamento até a escola emergiu como um fator significativo, com alunos enfrentando longos trajetos mostrando-se mais propensos a enfrentar dificuldades de frequência e, consequentemente, menor desempenho. O ambiente familiar também desempenhou um papel crucial, com alunos de lares que valorizam a educação demonstrando maior interesse pela escola. A motivação intrínseca e a identificação com os métodos de ensino também foram determinantes, com alunos motivados internamente e alinhados com os métodos de ensino obtendo resultados mais satisfatórios. Esses achados destacam a complexa interação entre os aspectos individuais, familiares e socioeconômicos na experiência educacional dos alunos. Em suma, a realidade dos indivíduos influenciou fortemente sua relação com a aprendizagem. Por isso, foi importante para o avanço das políticas educacionais saber como os alunos encaravam a escola, quais suas opiniões sobre o aprender, os motivos que os levavam à escola e as condições sociais e individuais por trás do interesse ou desinteresse no aprendizado.