MEDIAÇÃO DE CONFLITOS EM CONTEXTO ESCOLAR Renata Fernandes Cunha Velloso

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Resumo

Na atualidade alguns temas têm sido cada vez mais recorrentes quando nos referimos ao ambiente escolar. Temáticas relacionadas a convivência, bullying, indisciplina, violência e conflito estão cada vez mais presentes no dia a dia dos atores envolvidos no contexto da escola e tem levantado discussões e análises calorosas a respeito. Ao ingressarmos nessa realidade por vezes, percebemos que se torna muito frequente a experiência de inadequação, onde o espaço, físico e simbólico, parece apresentar um perfil adoecido por fatores internos e externos que influenciam de maneira clara e direta na aprendizagem e seu desempenho. As escolas estão vivendo tempos de dificuldades em se adaptar a modelos tão individualizados e heterogêneos quanto aqueles que estão se desenhando na sociedade. Ou ainda, de forma resumida, podemos dizer que a escola não está conseguindo se adaptar aos novos tempos. Tempos de “informação fácil” e apreensão de novos conhecimentos através das redes, por exemplo se apresentam como um enorme desafio ao modelo educacional tradicional. Já nos últimos anos do século passado observava-se a ocorrência de reclamações relacionadas a indisciplina, agressividade, revolta, comportamentos inadequados e paralelamente a isso a sociedade noticiava a ocorrência de um maior índice de desemprego, aumento da pobreza e redução da convivência entre pais e filhos. De forma geral, vê-se que a estrutura social apresenta mudanças estruturais radicais e que trouxeram reflexos em espaços diversos, dentre eles o espaço escolar. Sintomas como: agressividade, rancor, desinteresse, ousadia e desafio a figura do professor são algumas das experiências relatadas por estudantes e professores da rede de ensino. Episódios de Bullying (prática de atos violentos, intencionais e repetidos, contra uma pessoa indefesa, que podem causar danos físicos e psicológicos às vítimas) tem sido cada vez mais frequentes. Esses sentimentos de agressividade surgem e se desenvolvem de várias formas e depende de a escola elaborar as estratégias necessárias para lidar com as demandas da atualidade. É preciso buscar mecanismos de atuação a fim de viabilizar que os professores possam trabalhar todos esses sentimentos, que emergem no espaço escolar, de maneira positiva. Assim, torna-se relevante o reconhecimento das causas que levam a indisciplina escolar, e as formas como lidar com as dificuldades advindas desta indisciplina que tem entre tantas outras consequências negativas, o comprometimento da aprendizagem e o fracasso escolar, causando a sensação de que a escola é um espaço que exclui o indivíduo, ao invés de ser um espaço de acolhimento, fortalecimento de vínculos e por fim, de aquisição de conhecimentos múltiplos e integrais. É, portanto, preciso pensar no desenvolvimento de estratégias que facilitem a comunicação professor-aluno e certamente, o processo ensino-aprendizagem, bem como responder a questões como: De que maneira os professores podem/devem agir diante de situações de conflitos e atitudes tidas como antissociais? E como criar estratégias para desenvolver habilidades que visem a elaboração de um plano de intervenção que promovam a apreensão do conceito de “pacificação do espaço escolar”, compreendendo que pacifismo nada tem a ver com colocar-se passivo diante de situações de injustiça, descuido com o próximo e falta de humanidade. Por fim, precisa-se pensar: qual o papel da escola diante dos novos desafios apresentados pela sociedade dos dias atuais?  Tendo a escola não somente a função de ensinar, mas também de educar para a convivência social e a formação do indivíduo em sua forma integral, torna-se fundamental que ela seja capaz de promover discussões acerca dos temas referenciados neste artigo bem como, que o professor disponha de habilidades que ultrapassem aquelas que o habilitam para a transmissão de conteúdos pedagógicos, sistematizados e científicos. É preciso ainda disponibilizar tempo e espaço seguro para que gestores, docentes e alunos posam lidar e gerenciar os conflitos que emergem dentro das salas de aula e que ocasionam, quando não cuidados da forma adequada, muito desgaste emocional e perda de tempo útil. Neste contexto o presente artigo, e forma resumida, busca trazer à discussão temas que serão divididos em três subcapítulos. O primeiro apresentará um enfoque voltado as relações de convivência, conflitos experimentados no espaço escolar, suas causas e motivos e o conceito de educação pela paz e da cultura pacífica de convivência. O segundo descreverá o processo de mediação caracterizado por um conjunto de saberes, comportamentos, habilidades, técnicas, ferramentas e procedimentos que têm como objetivo o fortalecimento de uma Cultura de paz, prevenindo a violência no contexto escolar e promovendo a gestão pacífica dos conflitos escolares, de modo a criar um ambiente pedagógico seguro, acolhedor e propício ao crescimento intelectual, humano e social de todos os atores envolvidos no processo educacional. Por fim, serão apresentadas iniciativas desenvolvidas no espaço escolar com a finalidade de redução da violência, gestão positiva dos conflitos e pacificação social.

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MEDIAÇÃO DE CONFLITOS EM CONTEXTO ESCOLAR: Renata Fernandes Cunha Velloso. Unisanta Law and Social Science, Santos, v. 10, n. 1, 2024. Disponível em: https://periodicosunisanta.ojsbr.com/LSS/article/view/828. Acesso em: 17 mar. 2026.