Mudanças climáticas e saúde pública análise comparativa das políticas de mitigação e responsabilidade jurídica do Estado

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Kleber Leandro de Oliveira
Verônica Scriptore Freire e Almeida

Resumo

Introdução: Através da análise da relação entre meio ambiente e saúde à luz da Constituição Federal, é possível identificar os impactos das mudanças climáticas sobre a morbimortalidade. Faz-se necessário apontar a necessidade de políticas públicas intersetoriais eficazes, especialmente em países tropicais como o Brasil, bem como avaliar a responsabilização jurídica do Estado por omissão diante da crise climática. Para isso, adotamos a Austrália como parâmetro comparativo, dada sua semelhança federativa e climática. Métodos: A pesquisa é qualitativa, com base em revisão de literatura e análise documental de fontes normativas, institucionais e judiciais. Utilizamos dados do Brasil e da Austrália, selecionados por semelhanças climáticas e federativas. A análise comparativa buscou avaliar a integração entre políticas de saúde e clima. A triangulação das fontes permitiu uma abordagem multidimensional da atuação estatal. Resultados: A análise comparativa revelou desafios comuns entre Brasil e Austrália na integração entre políticas de saúde e clima, como a articulação intersetorial e a heterogeneidade territorial. A Austrália apresentou avanços estruturais, com financiamento específico e estratégias nacionais integradas. O Brasil enfrenta limitações de recursos e baixa cobertura em vigilância ambiental. A experiência australiana demonstra maior resiliência diante de eventos extremos. Discussão: Destacamos a responsabilização objetiva do Estado brasileiro por omissão diante de danos ambientais e sanitários, com base em deveres constitucionais e jurisprudência consolidada. A omissão frente às mudanças climáticas configura violação de direitos fundamentais, especialmente quando há falhas na coordenação e execução de políticas públicas. O controle judicial, por meio de ações estruturantes, tem sido um instrumento relevante. Defende-se uma atuação estatal proativa, baseada em evidências e integração intersetorial. Conclusão: A comparação entre Brasil e Austrália revela que o Brasil carece de políticas climáticas e sanitárias integradas e eficazes, comprometendo a proteção da saúde pública. A responsabilidade jurídica do Estado brasileiro pode decorrer da omissão ou da ineficiência institucional. Exige-se planejamento estruturado, financiamento contínuo e governança articulada. O Judiciário, de forma responsiva, deve assegurar a efetividade dos direitos fundamentais frente à crise climática.

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Artigos

Biografia do Autor

Kleber Leandro de Oliveira, Universidade Santa Cecília

Possui graduação em Medicina pela Universidade de Ribeirão Preto (2012). Especialização em Cirurgia Geral pelo Hospital Municipal Dr. Mario Gatti (2015) e em Cirurgia do Aparelho Digestivo no Hospital Estadual Guilherme Alvaro (2017). Pós-graduação LATO SENSU em Cirurgia Bariátrica e Metabólica no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, HAOC (2018). MBA em Gestão, Inovação e Serviços em Saúde na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUCRS (2021). Especialista em Cirurgia Geral, Cirurgia do Aparelho Digestivo e Cirurgia Bariátrica pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo - CREMESP. Especialista em Cirurgia Videolaparoscópica pela SOBRACIL.Cursando pós-graduação Stricto Sensu em Direito da Saúde - Universidade Santa Cecília/UNISANTA.

Verônica Scriptore Freire e Almeida, Universidade Santa Cecília

Doutora em Direito Econômico pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em Portugal, com reconhecimento e revalidação pela Universidade de São Paulo-USP, em Direito Econômico e Financeiro. É Mestre em Direito Econômico pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em Portugal, com reconhecimento e revalidação pela Universidade de São Paulo-USP, em Direito Econômico e Financeiro. É Pós-Graduada em Direito, área de especialização em Ciências Jurídico-Econômicas, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em Portugal (2005-2006). Residiu em Washington DC, EUA, em período de Pesquisa Acadêmica Doutoral (2015-2016) e Pós-Doutoral (2016-2017) na Georgetown University (Law Center). É Professora Universitária na Graduação e na Pós-Graduação, nos Cursos de Direito, Administração e Relações Internacionais, nas disciplinas de Introdução ao Direito, Direito das Organizações. Direito Empresarial, Contratos e Responsabilidade Civil das Organizações. Aspectos jurídicos da responsabilidade socioambiental das organizações. Direitos Humanos, Direito Econômico, Direito Comparado, Direito Internacional, Ambiente Digital e Direito da Saúde. É Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu, Mestrado em Direito da Saúde, da Universidade Santa Cecília e Professora Titular da graduação em Direito da Faculdade de Direito da Universidade Santa Cecília. É coordenadora do curso de graduação em Relações Internacionais da Universidade de Santa Cecília (UNISANTA). É Editora-Chefe do Global Health Law Journal (ISSN 2965-7024). É Líder do Grupo de Pesquisa de estudos Comparados em Direito da Saúde, certificado no CNPQ. 

Como Citar

OLIVEIRA, Kleber Leandro de; ALMEIDA, Verônica Scriptore Freire e. Mudanças climáticas e saúde pública: análise comparativa das políticas de mitigação e responsabilidade jurídica do Estado. Unisanta Law and Social Science, Santos, v. 14, n. 1, p. 178–187, 2025. DOI: 10.66221/v14n1p178. Disponível em: https://periodicosunisanta.ojsbr.com/LSS/article/view/2729. Acesso em: 17 mar. 2026.