Espiritualidade na atenção à saúde avaliação da aplicabilidade prática e limites ético-normativos
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Resumo
RESUMO: O estudo analisa a relação entre espiritualidade e saúde, destacando seu crescente reconhecimento na prática clínica contemporânea. Historicamente, a ciência ocidental afastou-se da religiosidade, priorizando o modelo biomédico e fragmentado de cuidado. Contudo, pesquisas recentes indicam que a atenção às dimensões espirituais pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida, adesão ao tratamento e bem-estar dos pacientes. Esse cenário tem impulsionado recomendações de organismos internacionais e nacionais para incluir a espiritualidade na formação médica e nos serviços de saúde, ainda que permeada por limites éticos e normativos. Objetivo: compreender as repercussões da espiritualidade sobre a saúde, avaliar a legislação vigente e discutir a aplicabilidade prática dessa abordagem no contexto brasileiro. Método: realizou-se pesquisa qualitativa, descritiva e aplicada, baseada em revisão bibliográfica e documental. Foram examinados artigos publicados entre 1994 e 2024 em bases como PubMed, SciELO e LILACS, além de documentos oficiais da OMS, ONU e normas nacionais. A metodologia incluiu análise crítica e categorização temática, buscando evidências consistentes e atualização conceitual. Resultados: revelaram associação positiva entre espiritualidade e saúde física e mental, incluindo menor incidência de depressão, ansiedade, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, além de maior longevidade e apoio psicossocial. Também se constatou que cerca de 15% dos indivíduos vivenciam a espiritualidade de forma negativa, com impacto adverso em seus desfechos de saúde. No Brasil, apesar de avanços legais, como a Lei nº 9.982/2000 e a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, persistem lacunas na formação médica e na aplicação prática, sobretudo pelo despreparo e resistência de profissionais. Conclusão: conclui-se que a espiritualidade pode ser integrada de modo legítimo e benéfico ao cuidado integral, desde que respeitados a laicidade do Estado, a autonomia do paciente e os marcos ético-jurídicos, assegurados pelo consentimento informado e por uma formação profissional adequada.
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